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A Páscoa sempre foi a representação da época mais feliz do meu percurso: a Primavera, as flores, as amêndoas, as nuvens muito brancas num céu muito azul. É um novo início, um recomeço, um novo olhar. O ar está limpo das chuvadas e do vento forte, a relva está fresca, as crianças brincam na rua, os mais velhos atrevem-se a dar um passeio.

É interessante verificar como as vivências felizes, as interacções felizes, as descobertas felizes, são a base de apoio de tempos futuros mais áridos. Tudo o que vivi nessas Primaveras da minha infância e adolescência permanece como uma claridade que ilumina os dias mais cinzentos.

 

Dizem-nos os cientistas que estudam a memória que as nossas memórias não são fiáveis, que se vão alterando, que vamos acrescentando pormenores ou retirando outros, que as vamos moldando à medida das nossas experiências posteriores. Mas isso não retira o impacto que as experiências originais tiveram. É a partir dessas experiências originais, as emoções, as cores, os cheiros, as interacções, os sons, que se vão moldando as memórias. No meu caso, a Páscoa e a Primavera, sempre ligadas entre si, e a jardins e a piqueniques e a uma felicidade sem nome. 

 

Os filmes funcionam também como atmosferas porque reúnem imagens, sons, vozes, silêncio e música. Aproximam-se das experiências em primeira mão por isso mesmo.

Escolhi para esta Páscoa um filme que já passou por aqui, Phenomenon. A experiência vivida por George Malley é o que mais se aproxima da ideia que gostaria de partilhar com os Viajantes que navegarem por este rio: tudo e todos estão interligados de uma forma imperceptível. Só a linguagem do poder separa e divide.

 

 

E é com essa ideia que vos desejo, caros Viajantes, uma Páscoa primaveril com tudo o que isso significa para cada um. Porque o olhar de cada um é único, é esse o valor de cada olhar, do nosso olhar original. 

 

 

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publicado às 14:55

Morangos silvestres

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 03.08.07

Bergman na sua ilha, como a personagem de Saraband. Bergman poético e cruel. A solidão irremediável, primeiro porque se procurou esse espaço existencial, respirável, entre nós e os outros, depois porque já não sabemos viver de outro modo.

Bergman reabre todas as feridas, sem dó nem piedade. As mais profundas, as mais insuportáveis. E de uma forma tão poética… de uma poesia límpida, fresca, áspera, dura. Como essa língua estranha. Mas a mais estranha, a que mais magoa, o silêncio. O silêncio mortal.

Há qualquer coisa de medieval nos seus filmes. Vêm de longe, de raízes muito profundas. Talvez das origens da nossa estranha natureza. Da nossa natureza animal, vegetal, mineral. Da nossa natureza que se confunde com a natureza.

Mas os morangos silvestres… os morangos silvestres...Envelhecer, lembrar, ver o essencial, aceitar a solidão, o afastamento emocional e afectivo. Doce, doce Sjöstrom. Será sempre o meu Bergman preferido. O terror do nosso fim, da inutilidade de toda uma existência. Olhar isso de frente. Aceitar tudo isso.

 

 

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publicado às 14:53


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